A Binance começou no domingo a reabertura gradual dos saques, após o roubo de cerca de US$ 6,3 bilhões ocorrido em 29 de outubro. No sábado, o FBI atribuiu o ataque ao TraderTraitor, grupo norte-coreano ligado ao Lazarus. A Binance afirma já ter coberto cerca de 95% do valor e que não pretende repassar as perdas aos usuários. É importante porque se trata do maior roubo de criptomoedas já registrado e porque mostra como um único computador comprometido pode abrir caminho para cifras semelhantes.
Alguns termos, antes de entrarmos nos fatos. TraderTraitor é o nome que o FBI dá à atividade cibernética norte-coreana, e o grupo também é conhecido como Lazarus, Jade Sleet e APT38. DeFi indica os serviços financeiros descentralizados, usados para movimentar fundos sem intermediários. Instant swap são os serviços que trocam uma criptomoeda por outra em instantes. SAFU é o fundo da Binance de proteção aos usuários. Proof-of-Reserves é a página que mostra a cobertura dos saldos na proporção de 1 para 1.
O que disse o FBI sobre o roubo à Binance?
No comunicado relatado pelo BleepingComputer, o FBI afirma que a Coreia do Norte é responsável pelo roubo de mais de 6 bilhões de dólares em ativos virtuais, ocorrido por volta de 29 de outubro de 2026. A atividade é chamada de TraderTraitor.
A atribuição segue a da TRM Labs e da Chainalysis, que já tinham ligado o golpe ao mesmo grupo. O The Verge, porém, observa que a agência ofereceu poucos outros detalhes ou provas. Também falamos disso neste artigo.
Como os fundos foram roubados?
Segundo o que a Binance havia relatado antes, a invasão partiu do notebook comprometido de um engenheiro DevOps. Isso permitiu aos atacantes acessar um contêiner de serviço e enviar saques não autorizados.
Cerca de 6,36 bilhões de dólares foram subtraídos em dez blockchains, em grande parte em apenas 20 minutos. Você encontra a reconstrução inicial neste texto.
Para onde estão indo os fundos roubados?
O FBI observou o TraderTraitor convertendo os fundos principalmente em Ethereum. Prevê uma lavagem adicional por meio de plataformas DeFi e serviços de troca instantânea.
FBI, Secret Service e IRS Criminal Investigation pedem que exchanges, operadores de blockchain e outros provedores de serviços bloqueiem as transações ligadas aos endereços usados. A lista publicada soma 628 endereços, sendo 608 de Ethereum, 19 de Bitcoin e um de Solana.
Quando voltam os saques na Binance?
Segundo a TechCrunch, a reabertura é gradual e depende da rede e do tipo de ativo. Na manhã de domingo, a página de status mostrava situações mistas, com Bitcoin parcialmente suspenso e Ethereum com depósitos normais e saques parciais.
O Punto Informatico fala em 15 redes na primeira fase, entre elas Bitcoin, Ethereum e Tron. A Binance alerta para possíveis atrasos por causa do alto tráfego e promete um relatório detalhado quando a investigação for concluída.
Limites a conhecer
Vários pontos seguem em aberto. O FBI forneceu poucos detalhes e provas públicas. A Binance ainda não publicou o relatório completo sobre o incidente. As fontes indicam horários diferentes para o início dos saques, e o valor roubado varia entre 6,3 e 6,36 bilhões. Os 95% de cobertura são um dado declarado pela exchange, sem verificação independente. Não sabemos quanto dos fundos será recuperado.
O que muda para quem trabalha com o digital
A dinâmica é conhecida. O ponto fraco foi o computador de uma pessoa com acessos privilegiados. Segundo a fonte, grupos norte-coreanos também usam falsos recrutadores e falsas provas de contratação para instalar malware em desenvolvedores. Se você gerencia servidores ou acessos sensíveis, separe os dispositivos de trabalho dos pessoais e limite as permissões. Uma hospedagem com atualizações de segurança gerenciadas reduz a superfície de ataque, mas não substitui a formação. Um caso semelhante de roubo por meio de script de terceiros é o da Polymarket.
Nossa opinião
O dado mais relevante não é o valor, e sim o método. Cifras de bilhões caem porque um notebook é invadido, não porque a criptografia é quebrada. A resposta da Binance, com cobertura declarada e saques graduais, é tranquilizadora, mas se apoia em números fornecidos pela própria exchange. Será preciso o relatório final para julgar. Também a atribuição do FBI, embora coerente com análises privadas, precisaria ser sustentada por mais evidências públicas.
Perguntas frequentes
Quem roubou os US$ 6,3 bilhões da Binance?
Segundo o FBI, o grupo norte-coreano TraderTraitor, também conhecido como Lazarus. A atribuição segue as de TRM Labs e Chainalysis. As provas publicadas são poucas.
Os usuários da Binance vão perder seu dinheiro?
A Binance diz que não. Afirma que as perdas não serão repassadas aos usuários e que cobriu cerca de 95% do valor. Os 5% restantes envolvem tokens menos líquidos.
Os saques na Binance já estão ativos?
Apenas em parte. A reabertura é gradual e depende da rede e do ativo. Podem ocorrer atrasos por causa do alto tráfego.
Como o ataque aconteceu?
A Binance o relaciona ao notebook comprometido de um engenheiro DevOps. Isso deu acesso a um contêiner de serviço e a saques não autorizados.
O que está acontecendo com os fundos roubados?
Estão sendo convertidos principalmente em Ethereum. O FBI prevê lavagem por meio de serviços DeFi e swaps instantâneos, e publicou 628 endereços para bloqueio.
O que acompanhar nas próximas semanas sobre o caso Binance
A crise operacional está se encerrando, mas a informativa não. Importam o relatório final e o destino dos fundos.
- Leia o relatório detalhado da Binance quando for publicado e compare a reconstrução com a do FBI.
- Acompanhe a página de status das redes antes de movimentar fundos, já que a reabertura é por fases.
- Verifique se a cobertura passa de 95% e se os tokens menos líquidos são concluídos.
Fontes
- bleepingcomputer.com, FBI links $6.3 billion Binance crypto heist to North Korean hackers
- techcrunch.com, Binance resumes withdrawals following $6.3 billion breach
- theverge.com, North Korea linked to massive Binance crypto heist
- punto-informatico.it, Binance ripristina i prelievi, FBI conferma autori del furto




