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SpaceX quer comprar a Boost Mobile para construir sua rede móvel nos Estados Unidos

A SpaceX teria iniciado negociações com a EchoStar pela Boost Mobile. Veja o que se sabe, o que falta e por que a rede da AT&T e da T-Mobile pode travar o negócio.

Ing. Calogero Bono 5 min de leitura
SpaceX quer comprar a Boost Mobile para construir sua rede móvel nos Estados Unidos

A SpaceX teria iniciado negociações com a EchoStar para comprar a Boost Mobile, operadora móvel virtual dos Estados Unidos, ou para usar a rede dela. A informação vem de uma investigação do Washington Post, repercutida pela TechCrunch, pelo The Verge e outros veículos. Até agora não há confirmação oficial. O caso importa porque mostra como a empresa de Elon Musk quer passar dos satélites a um serviço de telefonia de verdade, com uma parte de rede terrestre que hoje ela não tem.

Alguns termos, antes de entrar nos fatos. MVNO é uma operadora virtual, vende planos mas usa a rede de outras. Espectro são as frequências de rádio por onde trafega o sinal. Direct-to-Cell é a conexão direta entre satélite e celular, sem antenas dedicadas. Banda baixa indica frequências como 800 MHz, que atravessam melhor paredes e obstáculos. Cell site é um local com as antenas de uma rede móvel.

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O que teria acontecido entre SpaceX e EchoStar?

Segundo o Washington Post, Elon Musk teria conversado diretamente com Charlie Ergen, presidente da EchoStar, em outubro. O tema seria a compra da Boost Mobile, que junto com a GenMobile dá à EchoStar cerca de 7,5 milhões de clientes, segundo a TechCrunch.

A alternativa seria um acordo separado para acesso à rede. A Android Authority escreve que a SpaceX buscaria também acesso a cerca de 80.000 sites celulares nos Estados Unidos. Segundo o The Verge, nem a SpaceX nem a Boost responderam de imediato ao pedido de comentário.

Por que a SpaceX precisa da Boost Mobile?

A SpaceX já oferece a Starlink Mobile por meio da T-Mobile, mas a conexão direta com o celular funciona só ao ar livre. Isso é explicado pelo Punto Informatico. As frequências compradas da EchoStar e a nova licença na banda de 800 MHz deveriam melhorar a cobertura dentro dos edifícios.

Falta, porém, a rede terrestre. A Boost cobre grande parte dos 48 estados contíguos, diz a TechCrunch. Com essas torres, a Starlink poderia atender celulares ao ar livre e deixar para as antenas terrestres os casos em que o sinal do satélite não chega.

Quais obstáculos existem para a operação?

O primeiro são as grandes operadoras. Musk teria pedido à AT&T, à T-Mobile e à Verizon que vendessem capacidade em suas redes, e as três teriam recusado.

O segundo é técnico e contratual. A Boost não tem torres próprias e aluga capacidade da AT&T e da T-Mobile, que poderiam precisar aprovar a transferência. As fontes do Post, relata a TechCrunch, dizem que esses contratos normalmente não são transferíveis. A SpaceX teria, portanto, de pedir o aval de dois futuros concorrentes.

Construir uma rede própria é mesmo tão demorado?

Aqui as posições divergem. O Punto Informatico relata que, segundo o CEO da Verizon, uma infraestrutura terrestre custaria até 500 bilhões de dólares e levaria no mínimo 4 a 6 anos. Musk teria respondido que bastam de 2 a 3 anos.

São declarações de parte interessada, não medições independentes. Ainda assim, explicam por que comprar uma operadora já ativa seria mais rápido do que começar do zero.

O mesmo artigo lembra também a hostilidade dos quatro principais operadores europeus em relação à SpaceX.

Limites a conhecer

Tudo se apoia em fontes anônimas do Washington Post. Nenhuma das partes confirmou as negociações, e não se sabem preço, prazos ou a forma do acordo, compra ou simples acesso à rede. Não sabemos se AT&T e T-Mobile dariam o consentimento. Os números sobre custos e prazos da rede vêm de declarações de executivos com interesses opostos.

O que muda para quem trabalha com digital

O caso diz respeito sobretudo ao mercado norte-americano, mas também ensina algo a quem trabalha no Brasil. Quando um fornecedor de conectividade muda de modelo, mudam cobertura, preços e condições para quem desenvolve serviços que dependem da rede. Quem cria apps móveis, por exemplo com React Native, deveria prever conexões instáveis ou intermitentes. Quem gerencia dispositivos conectados pode olhar para protocolos leves como MQTT, pensados para economizar banda.

Nossa opinião

A ideia é lógica, mas frágil. A SpaceX comprou frequências e tem os satélites, enquanto as torres são a parte que não se improvisa. Comprar a Boost parece um atalho, mas, se o contrato com a AT&T e a T-Mobile não for transferível, a vantagem continua nas mãos dos concorrentes. A recusa dos três grandes mostra que ninguém cede espaço a quem quer se tornar rival. Enquanto não houver comunicado, tratamos a operação como uma hipótese bem fundamentada.

Perguntas frequentes

A SpaceX comprou a Boost Mobile?

Não. Fala-se em negociações citadas pelo Washington Post, sem confirmação oficial. A SpaceX e a Boost não tinham respondido aos pedidos de comentário do The Verge.

O que é a Boost Mobile?

É uma operadora móvel virtual da EchoStar. Não tem torres próprias e usa a rede da AT&T e da T-Mobile. Junto com a GenMobile, soma cerca de 7,5 milhões de clientes.

Por que a AT&T e a T-Mobile são necessárias?

Porque a Boost aluga capacidade nas redes deles. Segundo as fontes do Post, esses contratos normalmente não são transferíveis, então eles poderiam precisar aprovar a venda.

O que a SpaceX quer alcançar?

Uma rede híbrida, satélite e terrestre. A Starlink cobriria os celulares ao ar livre, enquanto as torres da Boost cuidariam dos casos em que o sinal do satélite não chega.

Isso afeta o Brasil?

Não diretamente. A operação é norte-americana, mas indica a direção da SpaceX na telefonia e pode interessar a quem acompanha a conectividade por satélite na América Latina.

O que acompanhar nos próximos meses no plano móvel da SpaceX

A disputa vai se decidir em confirmações, autorizações e prazos. Estes são os sinais mais úteis para acompanhar.

  • Verifique se a SpaceX ou a EchoStar divulgam comunicados oficiais sobre o acordo.
  • Acompanhe a resposta da AT&T e da T-Mobile sobre o consentimento aos contratos de aluguel da rede.
  • Confira se surgem notícias sobre o acesso a cerca de 80.000 sites celulares, citado pela Bloomberg.

Fontes

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